Quinta, 01 de Outubro de 2026

Em pesquisa inédita, Embratur mapeia oportunidades para ampliar turismo LGBTQIA+ no Brasil

Levantamento com associados da IGLTA identifica interesse em ampliar a oferta brasileira no mercado internacional e aponta experiências

Embratur - Sebrae / Divulgação
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Embratur

01 outubro, 2026 às 16:30

Entre o interesse pelo Brasil e a decisão de colocá-lo na prateleira das viagens internacionais existe um caminho que passa por informação, qualificação e conhecimento dos destinos. Uma sondagem inédita realizada pela Embratur com empresas associadas à International LGBTQ+ Travel Association (IGLTA) identifica oportunidades para ampliar a presença das experiências brasileiras, com potencial de vendas, no mercado internacional voltado ao público LGBTQIA+.

Nesta primeira edição, o levantamento ouviu 34 participantes associados à IGLTA e analisou o perfil das empresas, sua relação comercial com o Brasil, o interesse pelo país, as experiências com potencial de comercialização e os principais desafios identificados pelo trade.

Os dados revelam um mercado que já mantém relação com o destino Brasil, mas no qual ainda há espaço para ampliar conhecimento e vendas.

Para o presidente da Embratur, Bruno Reis, os resultados permitem transformar informações sobre o mercado em estratégias mais direcionadas de promoção e apoio à comercialização. “Mais do que compreendermos o interesse pelo Brasil, a inteligência de mercado nos mostra o que precisamos fazer para transformar esse interesse em viagens. A sondagem aponta oportunidades concretas: temos empresas que querem conhecer melhor nossos destinos, produtos e experiências. Esses dados nos ajudam a direcionar promoção, capacitação e relacionamento com o trade para ampliar a presença da diversidade brasileira no mercado internacional”, afirma.

Brasil na prateleira

Entre as empresas participantes que já comercializam os destinos brasileiros, o Rio de Janeiro aparece como o  mais vendido, citado por 95,65%, seguido por São Paulo (73,91%) e Foz do Iguaçu (47,83%). Também aparecem Manaus (39,13%), Recife e Salvador (34,78% cada), Fernando de Noronha (30,43%), além de Florianópolis, Fortaleza e Gramado (26,09% cada).

A sondagem aponta espaço para crescimento. Para 69,57% dos respondentes, o Brasil representa até 20% do volume total de vendas. Outros 17,39% informaram que o país responde por uma fatia entre 21% e 40% dos negócios.

O interesse também aparece na busca por informações sobre o destino: 39,13% disseram pesquisar o Brasil frequentemente e 17,39%, muito frequentemente.

O perfil dos participantes ajuda a contextualizar esses resultados. Metade atua como agente ou consultor independente, 91,18% têm o ambiente on-line como principal canal de vendas e 91,18% trabalham com o consumidor final (B2C). Os Estados Unidos aparecem como principal país de origem das empresas ouvidas.

O que o viajante procura

Quando o olhar se volta especificamente para o turismo LGBTQIA+, a sondagem aponta disposição para ampliar a presença brasileira nos portfólios: 72,73% das empresas participantes afirmaram que pretendem apresentar o Brasil como destino para esse público.

Para Clovis Casemiro, Gerente de Membros da IGLTA para América do Sul e Portugal, a pesquisa comprova o enorme potencial do Brasil no turismo LGBTQIA+. “Com mais de 72% das empresas do setor planejando incluir o Brasil em seus portfólios, a parceria entre a Embratur e a IGLTA é decisiva para estruturar e qualificar a promoção dos nossos eventos, superando o desconhecimento do mercado e transformando esse grande interesse internacional em vendas e viagens concretas".

A pesquisa ajuda a identificar quais produtos despertam maior interesse. Entre as experiências consideradas atrativas, o Carnaval LGBTQIA+ aparece com 78,26%, seguido por bares, festas e vida noturna (65,22%) e praias e destinos de descanso (60,87%).

Os resultados mostram que as possibilidades de comercialização vão além dos segmentos tradicionalmente associados ao público LGBTQIA+. Quando questionados sobre quais experiências os fariam incluir o Brasil em seus portfólios, 81,82% indicaram roteiros histórico-culturais. Roteiros de luxo aparecem com 63,64%, enquanto ecoturismo e aventura e experiências gastronômicas alcançam 54,55% cada.

A percepção sobre acolhimento também foi analisada. Entre os participantes, 44,12% consideram o Brasil um destino acolhedor para viajantes LGBTQIA+ e 20,59%, muito acolhedor.

Do interesse à comercialização

A sondagem ajuda a identificar o que ainda separa esse interesse da venda efetiva dos destinos. O pouco conhecimento sobre os destinos brasileiros foi apontado por 50% dos participantes como um dos desafios para a comercialização, seguido por questões políticas ou sociais (41,18%).

Os próprios participantes indicaram quais ações podem contribuir para aproximar o produto brasileiro desse mercado. Famtours e press trips foram apontados por 76,47%, seguidos pelo mapeamento de serviços especializados no atendimento ao público LGBTQIA+ (55,88%) e pela ampliação da oferta de informações sobre os destinos (52,94%).

Os resultados vão subsidiar as ações da Embratur voltadas ao segmento, orientando iniciativas de promoção, capacitação e relacionamento com o mercado internacional. A proposta é que esta primeira edição seja o ponto de partida para tornar o levantamento uma ação permanente no âmbito da parceria entre a Embratur e a IGLTA, permitindo acompanhar as transformações do mercado e identificar novas oportunidades para ampliar a presença das experiências brasileiras no turismo LGBTQIA+ internacional.