Com a chegada da alta temporada, especialmente a partir de maio, o Jalapão volta ao radar de viajantes em busca de paisagens únicas do Cerrado, o bioma mais antigo do planeta. Mas, juntamente com o aumento da procura, cresce também a preocupação com a superlotação em atrativos naturais e os impactos do turismo de massa na região.
Nos fervedouros mais famosos, não é raro que visitantes esperem até duas horas para entrar na água cristalina, uma realidade que contrasta com a dimensão do destino. É nesse cenário que o PlanetaEXO, plataforma voltada ao turismo sustentável, procura romper com a lógica dos itinerários padronizados, priorizando experiências que valorizam a cultura regional e distribuem melhor o fluxo de visitantes.
“Faz sentido enfrentar fila para conhecer uma atração natural sendo que a região tem mais de 100 fervedouros?”, questiona Ludimylla Melo Carvalho, sócia da Cerrado Rupestre, receptivo local especializado em experiências fora do circuito tradicional no Tocantins e parceiro do PlanetaEXO na região.
Contrafluxo: o caminho inverso do turismo de massa
|
Uma das alternativas para fugir da lógica da superlotação é o chamado contrafluxo turístico, estratégia que propõe inverter rotas, horários e até a forma de organizar a viagem.
“Os fluxos são criados para facilitar o comércio e a logística das agências. Todo mundo faz o mesmo roteiro, no mesmo horário, do mesmo jeito”, explica Ludimylla. “O contrafluxo é justamente fazer o contrário disso.” Um exemplo clássico são as dunas do Jalapão, tradicionalmente visitadas ao pôr do sol. “Elas são maravilhosas nesse horário, mas também são um espetáculo no nascer do sol e com muito menos gente”, afirma.
Para Lucas Ribeiro, fundador do PlanetaEXO, a busca por alternativas que fujam ao padrão do turismo de massa responde a uma mudança no perfil do viajante. “Existe uma demanda crescente por experiências mais autênticas e responsáveis. As pessoas querem sair do roteiro padronizado e entender o impacto da sua presença no destino.”
Turismo de natureza não é “fast food”
|
Especialistas e operadores locais alertam que o modelo atual de visitação a destinos naturais, muitas vezes, replica um esquema industrial. “Roteiros de natureza são vendidos como fast food com todo mundo fazendo tudo igual. Quando você viaja, você consome cultura. Para entender o lugar, você precisa viver o lugar. O jeito como as pessoas vivem em um ambiente tão isolado é único. O viajante precisa respeitar esse tempo e esse ritmo”, diz Ludimylla.
Lucas Ribeiro reforça que o tipo de experiência oferecido pela Cerrado Rupestre está no centro da curadoria do PlanetaEXO. “A ideia é justamente dar visibilidade a iniciativas locais, que trabalham com grupos menores e evitam a lógica do turismo de massa.”
Em vez de concentrar visitantes nos mesmos pontos, o conceito da plataforma é oferecer alternativas que fujam do comum e gerem renda para as comunidades, sejam elas do Tocantins, da Amazônia, do Pantanal ou dos Lençóis Maranhenses, destinos que estão entre os mais procurados pelo público do PlanetaEXO.
No Tocantins, um dos roteiros disponíveis no site do PlanetaEXO é uma volta de quatro dias pelo Parque Estadual do Jalapão, que inclui não apenas mergulho nas águas azuis dos fervedouros e contemplação do dourado das dunas, mas também interação com as comunidades das vilas que formam a Rota Quilombola.
|
Já a expedição de seis dias combina caminhada com raftings e conduz o viajante para bem longe das áreas saturadas do parque. As refeições são servidas em casas de moradores e uma trilha de 9,5 km, com duração de quatro horas, leva à Comunidade Boa Esperança, no município de Mateiros, local fora do comum no Brasil e que mantém viva tradições ancestrais do Jalapão.
“Quando você escolhe operadores comprometidos com o território, o dinheiro da viagem circula mais na economia local”, completa Lucas Ribeiro. “Isso é fundamental para que o turismo seja, de fato, uma ferramenta de desenvolvimento sustentável.”
Quando ir para evitar multidões
|
Embora maio e junho apareçam com frequência como os “melhores meses” para visitar o Jalapão, o destino pode ser explorado o ano todo.
“As chuvas são esparsas e não costumam atrapalhar a viagem”, afirma Ludimylla. Para quem busca menos movimento, meses como abril, setembro e até dezembro podem ser boas alternativas.
No fim, a discussão vai além de evitar filas. Trata-se de repensar o próprio jeito de viajar.
“Quanto mais você massifica, mais você tira o valor da experiência. Por que todo mundo precisa viver a mesma coisa?”, provoca Ludimylla. “O Jalapão é gigantesco. Há espaço para viver algo único. Basta sair do óbvio.
Conheça 10 curiosidades sobre o Jalapão
- O Jalapão abriga o maior parque estadual do Tocantins, com uma imensa área de Cerrado preservada.
- Nos fervedouros, a pressão da água é tão forte que ninguém consegue afundar.
- Apesar da paisagem de dunas, o Jalapão está longe de ser um deserto. Rios e nascentes cortam toda a região.
- Comunidades quilombolas mantêm vivas tradições culturais e modos de vida únicos no território.
- Há milhões de anos, a região já foi coberta por um antigo mar.
- O nome Jalapão vem de uma planta típica do Cerrado, a jalapa, conhecida por propriedades medicinais.
- O destino abriga uma das poucas experiências de hospedagem estilo safári no Brasil.
- Alguns fervedouros impressionam não só pela beleza, mas pela profundidade, que pode chegar a mais de 35 metros.
- O capim dourado, símbolo local, é base do artesanato e da renda de diversas comunidades.
- A biodiversidade é um dos grandes tesouros do Jalapão, com espécies raras e ameaçadas de extinção, como o lobo guará e o pato mergulhão.
Saiba mais sobre essas curiosidades no blog do PlanetaEXO
Sobre o PlanetaEXO
PlanetaEXO é uma plataforma dedicada ao ecoturismo responsável, conectando viajantes a experiências autênticas na natureza e fortalecendo iniciativas comunitárias em todo o Brasil. A empresa atua em parceria com comunidades locais, guias e projetos de conservação para promover viagens que valorizam cultura, biodiversidade e sustentabilidade.


