Terça, 20 de Outubro de 2026

Dia de Combate ao Câncer de Mama: desinformação ainda difi culta a prevenção e o diagnóstico precoce

Celebrada nesta segunda-feira (19/10), data contribui para informações confi áveis chegarem a mais mulheres em todo o país

20 outubro, 2026 às 10:31

O Dia Mundial de Combate ao Câncer de Mama, celebrado nesta segunda-feira (19/10), reforça a importância de ampliar o acesso à informação baseada em evidências científi cas, esclarecer dúvidas frequentes e incentivar o cuidado contínuo com a saúde. O câncer de mama é o tipo de câncer mais frequente entre as mulheres brasileiras, excluídos os tumores de pele não melanoma. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados cerca de 78,6 mil novos casos por ano no Brasil para o triênio 2026–2028, um risco estimado de 71,57 casos para cada 100 mil mulheres.


Embora os avanços na prevenção, no diagnóstico precoce e no tratamento tenham contribuído para melhorar o cuidado às pacientes, informações incorretas ainda podem atrasar a procura por atendimento ou criar a falsa percepção de que algumas mulheres não precisam se preocupar com a doença.


MITO DA HERANÇA GENÉTICA – É comum associar o câncer de mama exclusivamente ao histórico familiar. Embora a predisposição hereditária exista e exija acompanhamento específi co, ela representa parcela reduzida dos diagnósticos. Segundo o INCA, entre 90% e 95% dos casos não têm relação com mutações genéticas hereditárias. Na maior parte das situações, o desenvolvimento da doença resulta da combinação de envelhecimento, alterações hormonais, histórico reprodutivo, condições ambientais e hábitos de vida.


Por isso, todas as mulheres devem estar atentas aos cuidados com a saúde, independentemente da existência de casos da doença entre familiares. A idade é um dos fatores de risco mais importantes: aproximadamente quatro em cada cinco casos ocorrem após os 50 anos. O envelhecimento da população brasileira reforça, portanto, a importância do acompanhamento da saúde ao longo da vida.


MAMOGRAFIA – Observar as mamas e conhecer as características do próprio corpo ajudam a perceber alterações. Essa atenção, no entanto, não substitui a mamografi a nem a avaliação realizada por profi ssionais de saúde. A mamografi a é o principal exame utilizado para o rastreamento do câncer de mama e pode identifi car alterações antes que elas sejam percebidas pelo toque. Atualmente, o Ministério da Saúde recomenda que mulheres de 50 a 74 anos realizem o exame de rastreamento a cada dois anos.


Mulheres de 40 a 49 anos e aquelas com mais de 74 anos também podem ter acesso à mamografi a no SUS, após receberem orientações de profi ssionais de saúde sobre os possíveis benefícios e riscos do exame. Para pessoas com sinais ou sintomas suspeitos,
a mamografia diagnóstica e outros exames podem ser solicitados em qualquer idade,
conforme avaliação profissional.


É importante procurar uma unidade de saúde ao perceber alterações como:


● caroço ou nódulo endurecido na mama, na axila ou próximo à clavícula;
● mudanças no formato ou no tamanho da mama;
● retração do mamilo;
● alterações na pele, como vermelhidão, espessamento ou aspecto semelhante à
casca de laranja;
● saída espontânea de líquido pelo mamilo, especialmente quando contém sangue.
Essas alterações também podem estar relacionadas a condições benignas, mas precisam
ser avaliadas por um profissional de saúde.


DIFERENTES FATORES DE RISCO – Não existe única causa para o câncer de mama. O
desenvolvimento envolve combinação de fatores biológicos, hormonais, reprodutivos,
ambientais e comportamentais. Entre os fatores associados ao aumento do risco estão
envelhecimento, menopausa tardia e obesidade, consumo de bebidas alcoólicas,
sedentarismo, além da exposição prolongada a hormônios em situações específicas.


HÁBITOS SAUDÁVEIS – Alguns desses fatores não podem ser modificados. Por outro
lado, manter hábitos saudáveis pode contribuir para reduzir o risco de desenvolver a
doença. Cerca de 30% dos casos de câncer podem ser evitados por meio da prática
regular de atividade física, alimentação equilibrada, controle do peso corporal e redução
do consumo de bebidas alcoólicas e carnes processadas. Embora essas medidas não
eliminem completamente o risco, elas estão associadas à melhoria das condições gerais
de saúde e à prevenção de diferentes doenças crônicas.


DIAGNÓSTICO PRECOCE – Identificar o câncer de mama em seus estágios iniciais faz
diferença para o tratamento e prognóstico. Quando diagnosticado precocemente, o
câncer costuma apresentar maiores possibilidades de tratamento com menor
comprometimento da mama e melhores taxas de sobrevida. Especialistas recomendam
que as mulheres mantenham acompanhamento regular conforme a orientação dos
profissionais de saúde e procurem avaliação sempre que perceberem qualquer alteração.
A atenção aos sinais do corpo, o acesso aos serviços de saúde e exames para cada
situação são estratégias fundamentais para reduzir a mortalidade associada à doença.


INFORMAÇÃO CONFIÁVEL – Com o aumento de conteúdos sobre saúde nas redes
sociais e em aplicativos de mensagens, informações sem respaldo científico podem
contribuir para a disseminação de crenças equivocadas sobre prevenção, fatores de risco
e formas de diagnóstico. Buscar informações em instituições como o INCA, sociedades
médicas e profissionais de saúde, é fundamental para tomar decisões baseadas em
evidências. Significa garantir que mais mulheres conheçam seus direitos, reconheçam
sinais da doença e procurem atendimento no momento adequado.