Terça, 13 de Outubro de 2026

Embrapa apresenta estratégias agropecuárias contra os impactos do El Niño nas cinco regiões do país

Adoção de práticas como conservação do solo, uso efi ciente da água e adaptação ao estresse térmico são fundamentais para proteger as safras

13 outubro, 2026 às 11:22

O setor produtivo agropecuário brasileiro se prepara para enfrentar as variações climáticas provocadas pelo fenômeno El Niño no ciclo 2026/2027. Para mitigar os riscos de perdas e manter a elevada efi ciência nas lavouras e na pecuária, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) indica que os produtores adotem medidas preventivas antes do início das adversidades, combinando tecnologia, manejo adequado do solo e monitoramento contínuo das previsões meteorológicas.


Enquanto produtores da Região Sul precisam se preparar para chuvas intensas e excesso de água, em grande parte do Centro-Oeste, Norte, Nordeste e Sudeste o fenômeno deve impor o desafi o oposto: escassez de água, irregularidade das chuvas e temperaturas elevadas. As diferenças não se limitam às fronteiras regionais: os riscos também mudam conforme a localização, a cultura, o sistema produtivo e o período do ciclo agrícola.


Nesta sexta-feira, 9 de outubro, a Embrapa realiza, das 10h às 11h30, evento on-line sobre o El Niño 2026/2027, com transmissão pelo YouTube. Com participação de representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a programação inclui um panorama do fenômeno, o lançamento das notas técnicas com orientações para as cinco regiões e para a gestão de riscos climáticos e um espaço para perguntas do público.


NORDESTE — No Semiárido nordestino, o El Niño tende a elevar as temperaturas e desregular as chuvas, com maior probabilidade de secas no fi nal de 2026 e refl exos diretos na safra do início de 2027. Para reduzir a vulnerabilidade, as orientações principais envolvem o fortalecimento da infraestrutura de captação e armazenamento de água, por meio de cisternas, barreiros-trincheira e sistemas de reuso.
Nas culturas agrícolas, recomenda-se respeitar as orientações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), optar por cultivares resistentes e avaliar o cultivo do sorgo como substituto ao milho em áreas críticas.

Já em relação à pecuária, recomenda-se planejar antecipadamente a alimentação dos rebanhos, formar e conservar reservas de forragem, manter bancos de palma-forrageira e ajustar a taxa de lotação à capacidade de suporte da propriedade.
Antecipar decisões é a principal estratégia para reduzir os riscos no Semiárido. Ajustar a produção à disponibilidade de recursos e à capacidade de suporte da propriedade, conservar o solo, usar a água de forma efi ciente, formar reservas, diversifi car a produção e acompanhar o clima pode reduzir a vulnerabilidade dos sistemas agropecuários.


NORTE — Na Região Norte, a projeção aponta para o atraso na chegada das chuvas,
elevação de temperaturas e redução dos níveis dos rios, afetando a logística e o
abastecimento, sobretudo no Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima. A estratégia produtiva
requer o ajuste do calendário de plantio de grãos e mandioca às cotas dos rios e à
disponibilidade de água no solo.


A disponibilidade de água deve orientar boa parte das decisões na região. Além de seguir
o Zarc, as medidas incluem: escolher cultivares adaptadas e precoces, conservar a
umidade do solo, armazenar água, adequar a irrigação e proteger lavouras e animais do
calor.
No caso da pecuária e das pastagens, recomenda-se ajustar a lotação dos animais à
capacidade de suporte das pastagens, formar reservas de forragem, reforçar a
suplementação e garantir água limpa e sombra. A redução da umidade pode antecipar a
perda de qualidade das pastagens e aumentar o estresse térmico dos animais.


SUDESTE — O cenário no Sudeste apresenta disparidades: enquanto a previsão para São
Paulo, Rio de Janeiro e centro-sul de Minas Gerais é de volumes de chuva acima da média
entre outubro e dezembro, os nortes mineiro, capixaba e fluminense tendem a enfrentar
condições mais secas. O calor excessivo é o ponto de atenção comum a toda a região,
exigindo cuidados especiais nas lavouras de café durante as fases de floração e
enchimento dos grãos.


Os principais riscos para a agropecuária são o déficit hídrico, as ondas de calor e o
estresse térmico. Nos locais onde a chuva ficar acima da média, devem ser favorecidos a
semeadura e o estabelecimento da soja e do milho de primeira safra, a formação dos
frutos do café e a brotação da cana-de-açúcar.


No Sudeste, o manejo deve considerar principalmente os riscos associados à falta de
água e às altas temperaturas. As medidas incluem seguir o Zarc, acompanhar as
previsões climáticas, conservar água no solo, melhorar a infraestrutura hídrica, utilizar
tecnologias adaptadas ao estresse hídrico e térmico e reforçar as reservas de forragem
para a pecuária.


SUL — Na Região Sul, o El Niño 2026/2027 deve provocar chuvas mais intensas e
concentradas, principalmente entre os meses de setembro e dezembro. O excesso de
precipitação pode causar encharcamento dos solos, erosão e perda de nutrientes, além de
dificultar operações como semeadura, aplicação de insumos e colheita. A maior
nebulosidade também pode reduzir a radiação solar e prejudicar o desenvolvimento e o
enchimento dos grãos.


Entre as culturas mais expostas estão os cereais de inverno, arroz irrigado, soja, milho,
frutíferas de clima temperado e hortaliças. Nas pastagens, o excesso de chuva pode reduzir a qualidade da forragem, compactar o solo e favorecer sua perda. Na silvicultura, a
maior preocupação são os danos provocados por tempestades e ventos fortes.
No Sul, prevenção e manejo dos riscos devem caminhar juntos.

Além do Zarc e do
acompanhamento das previsões, as recomendações incluem escalonar a semeadura,
manter o solo protegido, melhorar a drenagem e planejar colheita, secagem,
armazenamento e logística. O planejamento também deve ultrapassar os limites da
propriedade e considerar a microbacia hidrográfica, com medidas para controlar o
escoamento da água e ampliar a capacidade de enfrentar eventos extremos.