Quarta, 20 de Maio de 2026

Combate ao trabalho infantil na Copa 2026 gera ações de orientação do MPTO aos municípios

Ministério Público encaminha diretrizes de fiscalização e busca ativa em áreas de grandes aglomerações e semáforos para proteger crianças

Foto: Divulgação
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Diretoria de Comunicação Social - DICOM

20 maio, 2026 às 15:54

O aumento do movimento em bares, semáforos, praças e espaços públicos durante grandes eventos esportivos pode esconder uma realidade silenciosa: a exploração do trabalho infantil. Diante desse cenário, o Ministério Público do Tocantins (MPTO) encaminhou orientações aos municípios tocantinenses para reforçar ações preventivas e de fiscalização durante a Copa do Mundo de 2026.

A iniciativa integra a Campanha Estadual “Cartão Vermelho ao Trabalho Infantil”, coordenada pelo Centro de Apoio Operacional às Promotorias da Infância, Juventude e Educação (Caopije), e busca fortalecer a atuação das redes municipais de proteção à infância e adolescência.

Segundo o MPTO, períodos de grande circulação de pessoas e crescimento do comércio informal costumam aumentar situações de vulnerabilidade envolvendo crianças e adolescentes, especialmente em locais públicos e áreas comerciais.

Riscos identificados no período dos jogos

O coordenador do Caopije, promotor de Justiça Sidney Fiori Júnior, explica que a proposta é estimular ações preventivas articuladas entre os órgãos municipais e estaduais para fortalecer a rede de proteção à infância e adolescência.

O material encaminhado aos municípios alerta que muitas situações de trabalho infantil acabam sendo naturalizadas socialmente, dificultando a identificação e a proteção das vítimas.

A mobilização estadual acompanha o mote da campanha nacional voltada ao Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil (12 de junho). De acordo com o planejamento técnico da instituição, grandes eventos esportivos geram cenários em que o trabalho precoce ganha escala de forma rápida. 

Cinco eixos de atuação

As orientações encaminhadas pelo MPTO estabelecem cinco frentes prioritárias de atuação nos municípios:

  • sensibilização da sociedade e dos integrantes do Sistema de Garantia de Direitos sobre os impactos do trabalho infantil;

  • apoio a campanhas e mobilizações locais;

  • fortalecimento da busca ativa e do monitoramento em áreas de maior vulnerabilidade;

  • incentivo ao uso dos canais de denúncia, como o Disque 100;

  • integração entre órgãos públicos e instituições da rede de proteção.

O documento também sugere ações práticas, como abordagens de orientação a comerciantes, campanhas digitais educativas, distribuição de materiais informativos e iluminação simbólica de prédios públicos na cor vermelha em referência à campanha Cartão Vermelho ao Trabalho Infantil.

Atuação Preventiva

O MPTO destaca que o objetivo da iniciativa é fortalecer ações preventivas e ampliar a capacidade de identificação precoce de situações de exploração infantojuvenil. O trabalho infantil é proibido pela legislação brasileira e pode provocar prejuízos ao desenvolvimento físico, emocional, social e educacional de crianças e adolescentes.

A instituição reforça ainda que situações de exploração podem ser denunciadas ao Conselho Tutelar, ao Ministério Público ou por meio do Disque 100, canal nacional de proteção dos direitos humanos.