O aumento do movimento em bares, semáforos, praças e espaços públicos durante grandes eventos esportivos pode esconder uma realidade silenciosa: a exploração do trabalho infantil. Diante desse cenário, o Ministério Público do Tocantins (MPTO) encaminhou orientações aos municípios tocantinenses para reforçar ações preventivas e de fiscalização durante a Copa do Mundo de 2026.
A iniciativa integra a Campanha Estadual “Cartão Vermelho ao Trabalho Infantil”, coordenada pelo Centro de Apoio Operacional às Promotorias da Infância, Juventude e Educação (Caopije), e busca fortalecer a atuação das redes municipais de proteção à infância e adolescência.
Segundo o MPTO, períodos de grande circulação de pessoas e crescimento do comércio informal costumam aumentar situações de vulnerabilidade envolvendo crianças e adolescentes, especialmente em locais públicos e áreas comerciais.
Riscos identificados no período dos jogos
O coordenador do Caopije, promotor de Justiça Sidney Fiori Júnior, explica que a proposta é estimular ações preventivas articuladas entre os órgãos municipais e estaduais para fortalecer a rede de proteção à infância e adolescência.
O material encaminhado aos municípios alerta que muitas situações de trabalho infantil acabam sendo naturalizadas socialmente, dificultando a identificação e a proteção das vítimas.
A mobilização estadual acompanha o mote da campanha nacional voltada ao Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil (12 de junho). De acordo com o planejamento técnico da instituição, grandes eventos esportivos geram cenários em que o trabalho precoce ganha escala de forma rápida.
Cinco eixos de atuação
As orientações encaminhadas pelo MPTO estabelecem cinco frentes prioritárias de atuação nos municípios:
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sensibilização da sociedade e dos integrantes do Sistema de Garantia de Direitos sobre os impactos do trabalho infantil;
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apoio a campanhas e mobilizações locais;
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fortalecimento da busca ativa e do monitoramento em áreas de maior vulnerabilidade;
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incentivo ao uso dos canais de denúncia, como o Disque 100;
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integração entre órgãos públicos e instituições da rede de proteção.
O documento também sugere ações práticas, como abordagens de orientação a comerciantes, campanhas digitais educativas, distribuição de materiais informativos e iluminação simbólica de prédios públicos na cor vermelha em referência à campanha Cartão Vermelho ao Trabalho Infantil.
Atuação Preventiva
O MPTO destaca que o objetivo da iniciativa é fortalecer ações preventivas e ampliar a capacidade de identificação precoce de situações de exploração infantojuvenil. O trabalho infantil é proibido pela legislação brasileira e pode provocar prejuízos ao desenvolvimento físico, emocional, social e educacional de crianças e adolescentes.
A instituição reforça ainda que situações de exploração podem ser denunciadas ao Conselho Tutelar, ao Ministério Público ou por meio do Disque 100, canal nacional de proteção dos direitos humanos.


