O aumento de sintomas de ansiedade, depressão e sofrimento emocional entre adolescentes e jovens tem chamado a atenção de profissionais da saúde. Embora os fatores relacionados à saúde mental sejam diversos, o psiquiatra e professor da Afya UNITPAC, Antonio Alberto Ferrari Mendonça Neto, destaca que esse cenário é resultado de uma combinação de aspectos biológicos, psicológicos, familiares e sociais.
Especialista em Psiquiatria e Clínica Médica, Antonio Alberto explica que as queixas relacionadas à ansiedade, à depressão e ao sofrimento emocional têm aparecido com frequência cada vez maior tanto na prática clínica quanto nos dados de saúde. Para ele, é necessário, no entanto, ter cautela ao interpretar esse aumento.
“Provavelmente existe uma combinação entre maior ocorrência de sofrimento psíquico e uma maior capacidade de reconhecer esses sintomas, falar sobre eles e procurar ajuda”, destaca.
Segundo o especialista, não existe uma causa única para o desenvolvimento de transtornos como ansiedade e depressão. Essas condições são multifatoriais e podem surgir a partir da interação entre diferentes fatores.
Entre os aspectos que podem contribuir estão a pressão por desempenho acadêmico e profissional, a preocupação excessiva com o futuro, dificuldades familiares e financeiras, bullying, isolamento social, conflitos interpessoais e a redução das redes de apoio.
Também são observadas mudanças no estilo de vida dos jovens, como privação de sono, redução da atividade física e exposição cada vez maior ao ambiente digital.
Uso das redes sociais exige atenção
As redes sociais também merecem atenção, mas o psiquiatra ressalta que elas não devem ser apontadas, isoladamente, como responsáveis pelo desenvolvimento de transtornos mentais.
“O problema está principalmente na forma e na intensidade com que são utilizadas. A exposição excessiva pode favorecer a comparação constante com outras pessoas, a busca por aprovação, a insatisfação com a própria imagem, o medo de exclusão e o cyberbullying, além de, muitas vezes, reduzir o tempo destinado ao sono, à atividade física e às relações presenciais”, explica.
A depressão em adolescentes nem sempre se manifesta apenas por meio da tristeza. De acordo com Antonio Alberto, os primeiros sinais podem aparecer como irritabilidade, isolamento ou mudanças significativas de comportamento. “Pais, familiares e professores devem observar alterações persistentes em relação ao comportamento habitual do jovem, como isolamento social, perda de interesse por atividades que antes proporcionavam prazer, queda significativa no rendimento escolar, irritabilidade excessiva, alterações no sono ou no apetite, dificuldade de concentração, crises frequentes de ansiedade, preocupação excessiva e cansaço constante.
Também merecem atenção manifestações de culpa, sentimentos de inutilidade e desesperança. “Outro sinal de alerta são falas relacionadas à morte ou ao desejo de desaparecer, como “não aguento mais”, “não vejo sentido nas coisas” ou “seria melhor se eu não estivesse aqui”. Automutilação, comportamentos de despedida ou qualquer manifestação de intenção suicida também precisam ser levados a sério e exigem avaliação profissional”.
Ao mesmo tempo, o especialista ressalta que é importante não transformar toda tristeza ou ansiedade em doença.“Sentir ansiedade antes de uma prova, ficar triste após uma frustração ou apresentar momentos de irritabilidade faz parte da vida. O que deve chamar a atenção é quando esses sintomas se tornam persistentes, muito intensos ou começam a provocar prejuízo significativo na vida escolar, familiar, social ou no autocuidado”, explica.
Diálogo com os jovens é fundamental
Para pais e familiares, uma das principais orientações é criar espaços de diálogo e oferecer uma escuta sem julgamentos. Muitas vezes, antes de receber um conselho, o jovem precisa perceber que existe alguém disposto a ouvi-lo e acolher o que está sentindo.
“Minimizar o sofrimento com frases como ‘isso é bobagem’, ‘você não tem motivo para estar triste’ ou ‘na minha época não existia isso’ pode dificultar ainda mais a procura por ajuda”, reforça o psiquiatra.
Quando o sofrimento é persistente ou começa a comprometer o funcionamento do jovem, é importante procurar avaliação de um profissional de saúde mental. Em situações de crise ou diante de sinais de risco de suicídio, a avaliação deve ser imediata. “Esse é um dos pontos mais importantes quando falamos em Setembro Amarelo: a prevenção não deve começar apenas quando alguém manifesta intenção de tirar a própria vida. Precisamos falar de saúde mental durante todo o ano, reconhecer precocemente o sofrimento e construir ambientes familiares, escolares e sociais nos quais o jovem se sinta seguro para dizer que não está bem e pedir ajuda”, conclui Antonio Alberto.
Atendimentos
O Ambulatório da Afya UNITPAC oferece atendimentos gratuitos à população, com agendamento prévio pelo WhatsApp (63) 3142-0078. Para ter acesso aos serviços, não é necessário passar pela Regulação.
Na área de Psiquiatria, os atendimentos são realizados às segundas e quartas-feiras, com a Dra. Morgana. Já a Clínica de Psicologia realiza atendimentos de segunda a sexta-feira, nos períodos das 9h às 12h e das 14h às 19h.
Setembro Amarelo: saúde mental dos jovens e adolescentes exige atenção, diálogo e acolhimento
Psiquiatra Antonio Alberto destaca a importância da escuta, da prevenção e da busca por ajuda profissional
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