Terça, 20 de Outubro de 2020

Quarta Gloriosa

Quarta Gloriosa: Célia Xakriabá, mulher indígena pela educação

Por Glória Pires, Atriz e Empreendedora

Foto: Mídia Ninja
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09 setembro, 2020 às 10:29

Salve, Glorioses. Célia Xakriabá nasceu em 1990, ao mesmo tempo em que nascia, no Brasil, a ideia das escolas indígenas e é impossível não perceber uma predestinação nessa jovem mulher indígena, que vem a ser a primeira de sua etnia a tornar-se mestra em Desenvolvimento Sustentável e que hoje faz doutorado em Antropologia na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) pois entende que a luta indígena pelo seu território e sua cultura precisa acontecer por meio da educação. Como ela mesma diz: “a caneta é uma arma mas o conhecimento indígena, também é”. Essa percepção a levou a estudar Educação Indígena, participando da primeira turma do curso na UFMG, em 2013.

Todos sabemos que a luta dos povos indígenas vem de longe, resistindo à invasão territorial e cultural. Os Xakriabá, por exemplo, viviam em diversos pontos às margens do Rio São Francisco, de Minas até Pernambuco, hoje vivem restritos ao norte de Minas Gerais, porém, sem acesso ao Rio Peruaçu, nem ao parque nacional de mesmo nome, região na qual os Xakriabás têm sua memória e ancestralidade. Parte do trabalho de Célia é resgatar essa história e mantê-la viva.

Por isso, ela defende a reestruturação de toda a rede de ensino, levando para os povoados uma educação baseada nos conhecimentos indígenas e na pedagogia de cada povo, que é diversa entre si. 

Em muitas de suas entrevistas e palestras, esta sua mensagem é clara: a universidade e as escolas formam a nossa identidade, mas a identidade de cada povo também pode moldar os espaços de ensino. Nas aldeias, a escola é a própria terra, onde se cultiva e preserva os costumes. Os povos originários têm muito a contribuir com o meio acadêmico, e não somente o contrário. 

No doutorado, é essa a sua preocupação. Com a tese “Fortalecendo as epistemologias nativas por meio das vozes indígenas na universidade“, ela pesquisa como as universidades acolhem os estudantes indígenas e se de fato estes estão sendo ouvidos.  Mais do que ter um corpo indígena dentro da universidade, é preciso ter a sua voz

Como desdobramento natural do fortalecimento dessa coletividade, este ano, Célia se uniu a outros estudantes indígenas formados ou em processo de formação em diferentes áreas da antropologia, fundando a ABIA – Articulação Brasileira de Indígenas Antropóloges,  justamente dando voz aos saberes dos pajés, das rezadeiras e dos encantados, mas não somente. No Instagram você pode acompanhar as pesquisas do grupo.

Acompanhe também a Célia Xakriabá em seu perfil pessoal, onde ela divulga as próximas atividades e eventos. 

Um beijo e até a próxima Quarta Gloriosa!