Quinta, 05 de Março de 2026

Projeto Golfinho Rotador vence prêmio internacional e coloca o Brasil no topo do turismo sustentável mundial

Iniciativa de Fernando de Noronha (PE) conquista o ITB Earth Award, principal reconhecimento da ITB Berlin

ITB Berlin/Divulgação
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Embratur

05 março, 2026 às 15:29

A conservação marinha brasileira conquistou um reconhecimento histórico na Europa. O Projeto Golfinho Rotador, que atua há mais de 35 anos em Fernando de Noronha (PE), venceu o ITB Earth Award, um dos mais prestigiados prêmios internacionais de turismo sustentável, entregue durante a ITB Berlin, considerada a maior feira de turismo do planeta. A premiação aconteceu nesta quarta-feira (4) e marca a primeira vez que uma iniciativa brasileira conquista esse reconhecimento.

O ITB Earth Award existe desde 2011 e integra os Green Destinations Story Awards, premiação global que destaca histórias inspiradoras entre os Top 100 Destination Sustainability Stories, uma seleção anual de cases que apresentam soluções inovadoras para o turismo responsável. O prêmio reconhece destinos e iniciativas com gestão excepcional, práticas inovadoras no enfrentamento das mudanças climáticas e compromisso com a conservação ambiental. O projeto também esteve entre os finalistas das categorias People’s Choice Award e Natureza e Cenário dos Green Destinations Story Awards, reforçando o reconhecimento internacional da iniciativa entre os Top 100 cases de turismo sustentável do planeta.

Com a vitória, o Projeto Golfinho Rotador projeta Fernando de Noronha como um exemplo internacional de turismo sustentável, demonstrando que é possível integrar conservação ambiental, ciência e desenvolvimento econômico em territórios de alta sensibilidade ecológica.

O anúncio foi feito durante a cerimônia oficial da ITB Berlin, diante de representantes de destinos turísticos de todos os continentes. Ao subir ao palco, a coordenadora de Educomunicação Ambiental e Sustentabilidade do projeto, Cynthia Gerling, destacou o significado da conquista.

“Vencer o ITB Earth Award mostra que é possível proteger a biodiversidade e, ao mesmo tempo, promover um turismo consciente e responsável”, afirmou Cynthia Gerling. “A ciência e o desenvolvimento sustentável são ferramentas poderosas de transformação, não só para Noronha, mas como inspiração para outros destinos no Brasil e no mundo.”

Patrocinado pela Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, o projeto reafirma, com esse reconhecimento internacional, a relevância de um modelo que alia conservação ambiental, ciência aplicada e engajamento da comunidade local. O presidente da Embratur comemorou o reconhecimento e lembrou que a instituição integra os entrevistados do minidocumentários Turismo Transforma, da Embratur, sobre Fenando de Noronha. “É um orgulho imenso ver o Projeto Golfinho Rotador ser reconhecido internacionalmente na ITB Berlin. Essa é uma vitória de Fernando de Noronha, de Pernambuco e de todo o Brasil. A Embratur apoia este projeto, que inclusive é um dos protagonistas da nossa série de minidocumentários ‘Turismo Transforma’. É uma iniciativa que mostra como a conservação ambiental e a experiência do turista internacional podem caminhar juntas”, disse.

“Hoje, a Agência tem o turismo regenerativo como um de seus pilares. Temos parcerias com projetos importantes como o Onçafari e a Biofábrica de Corais e um compromisso muito sério em promover um Brasil que preserva sua biodiversidade enquanto gera renda e orgulho para as comunidades locais”, Acrescentou Freixo.

Trabalho permanente

Criado em 1990, o Projeto Golfinho Rotador monitora diariamente a população de golfinhos-rotadores que utiliza o arquipélago como área de descanso e socialização, além de desenvolver pesquisas científicas contínuas sobre comportamento, dinâmica populacional e conservação marinha. A iniciativa também promove ações permanentes de educação ambiental com moradores, estudantes e visitantes.

“Buscar cada vez mais a implementação de boas práticas de gestão sustentável e atrair ecoturistas para Fernando de Noronha é o que nos motiva. E ganhar este premio entre tantas iniciativas de turismo sustentável no mundo nos mostra que o Projeto Golfinho Rotador está no caminho certo, que é a construção com os ilhéus de um turismo de base comunitária”, destaca José Martins, coordenador do projeto.

Como parte estratégica de sua atuação, o Golfinho Rotador estruturou também um robusto Programa de Sustentabilidade, voltado especialmente ao fortalecimento do turismo responsável em Fernando de Noronha. A iniciativa oferece cursos, oficinas e consultorias ao trade turístico local, orientando empreendedores sobre como implementar práticas de gestão sustentável em seus negócios, com foco na redução de impactos ambientais, no uso consciente de recursos naturais e na valorização da biodiversidade como ativo econômico e social.

Vida na água

Entre as ações de destaque está a criação do guia “Vida na Água – Gestão Sustentável à Beira-Mar”, um manual prático desenvolvido para apoiar empreendedores da ilha na adoção de práticas baseadas em princípios de ESG (Ambiental, Social e Governança). Mais do que um conjunto de orientações ambientais, o material propõe a integração da sustentabilidade e da ética à estratégia de negócios, contemplando dimensões ambientais, sociais, de conformidade legal e de responsabilidade econômica, com foco na minimização de impactos negativos e na geração de valor de médio e longo prazo.

Distribuído gratuitamente a pousadas, sedes de empresas, bares e restaurantes, barracas de praia, empresas de passeios de barco, operadoras de mergulho e condutores de visitantes, o guia amplia o alcance das ações educativas e fortalece um modelo de turismo comprometido com a conservação marinha, o desenvolvimento local e a governança responsável.

Em 2025, o Centro Golfinho Rotador, que executa o projeto, foi certificado pela Green Destinations com o Selo Ouro, alcançando 95% de conformidade, tornando-se a primeira ONG da América Latina a atingir esse nível de certificação.

Ao ecoar no palco da maior feira de turismo do mundo, o nome de Fernando de Noronha reafirma que proteger o oceano também significa projetar o futuro do turismo global